A Lixeira de Penha é o maior deposito de lixo no país, não tem condições para tratamento e de manuseamento para os seus funcionários

A Lixeira de Penha é a única do género em São Tomé que todos os dias recebe toneladas de lixos. Cada dia que passa a situação piora, os funcionários não têm equipamentos especializados para o local e não têm como conter as crianças por que ainda não existe um murro de vedação adequado para o local.

Conjuntura actual da Lixeira de Penha em São Tomé
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Já com largos anos de existência, a Lixeira de Penha tem vindo a ganhar cada vez mais destaque nos últimos tempos  a existência de habitações e de uma linha de água na proximidade são dois dos principais problemas associados à sua localização.

A lixeira da Penha é a única do género em São Tomé e ocupa por volta de 1 hectare de terra, serve aos distritos mais populosos como o distrito de Água Grande e Mé-Zochi, que tem por volta de 125.825 mil habitantes que dia após dia não para de crescer.

O local onde está situada a Lixeira de Penha não foi previamente desenhado para tratar e lidar com todos os resíduos produzidos na nossa cidade, pois é notório a falta de infraestruturas, de equipamentos e de pessoal devidamente equipado de forma a executar os trabalhos com segurança e a protecção necessária.

Contudo alguns anos atrás sentiram a necessidade de haver um encerramento do mesmo de forma a não agravar as situações existentes, mas com a ausência de uma alternativa para o espaço não foi possível assegurar a selagem do local.

A partir daí a Câmara Distrital de Água Grande juntamente com o Governo desenvolveram esforços para a reabilitação da Lixeira da Penha (vedação, controlo da entrada, construção de um Eco-centro/Parque de Resíduos) para haver um melhor funcionamento do local, porém o panorama continuou como sempre foi, mau.

Essa lixeira imposta na estrada pública pelos serviços da câmara distrital está mesmo a beira da fonte onde a população faz o seu uso para fins pessoais. Para além desses problemas associados á proximidade da linha de água, outros problemas podem ser identificados na lixeira da Penha como:

  1. A queima de resíduos a céu aberto libertando dioxinas, furanos e outros poluentes que causam graves problemas de saúde. Especialmente aos moradores das redondezas que sentem os efeitos da poluição causada;
  2. Inexistência de um controlo efectivo de descargas na lixeira, incluindo o controlo sobre a deposição de resíduos perigosos o que impossibilita uma gestão controlada;
  3. Ausência de controlo da entrada de pessoas e animais e sua livre circulação no local.

 

Como está actualmente a situação da Lixeira de Penha

Actualmente a lixeira de Penha está num estado desagradável causando danos irreversíveis á saúde humana também ao meio ambiente.

Os lixos são todos queimados sem mesmo fazerem a separação entre eles, o que provoca problemas para saúde dos funcionários e dos moradores pois os lixos queimados libertam substâncias como metano chorume e monóxido de carbono.

Quando chove os carros não conseguem entrar na lixeira para depositarem os lixos e por isso depositam  na entrada da lixeira ou seja a beira da estrada, pois não têm como levá-los la para dentro por causa de tanta lama e água parada.

Crianças e mulheres vão a uma fonte repleta de lixo de toda espécie para apanhar água. Lama se mistura com o lixo, o cheiro enjoativo tornar-se mais forte até lixo hospitalar está a ser lançado em plena estrada pública; lixo de toda espécie que acaba por bloquear a estrada.

Conjuntura actual da Lixeira de Penha em São Tomé
Lixos ao Redor do Rio

“A câmara não dispõe de materiais adequados para os funcionários trabalharem, como luvas; botas; uniformes adequados para o local e mascaras de rosto, algum tempo atrás  um médico português propôs á câmara que os lixos não fossem queimados mais sim reutilizados por que a sua queima afecta a saúde dos trabalhadores e dos moradores, e quando os funcionários ficam doentes a câmara não responsabiliza com o tratamento nem com os medicamentos e se faltarem são descontados do salário os dias que faltaram”  rematou um dos fiscais da lixeira.

“Em alguns anos atrás na lixeira faziam a separação entre os resíduos de forma a poderem reutilizá-los e por motivos desconhecidos esta prática deixou de ser feita a partir do ano 2016. A Câmara deveria organizar-se bem se estruturar para ter uma lixeira bem organizada e para tal um dos primeiro passo é a construção de um cercado á volta para impedir entradas de pessoas e animais. Em tempo de chuva os moradores não têm como movimentarem no recinto da lixeira por causa de ter muitas águas paradas e também por que os lixos são todos jogados á frente da entrada. E também há um rio que passa por detrás da lixeira onde as pessoas fazem uso mas os lixos estão no rio impedindo a passagem da água.” Declarou um dos moradores.

A situação mantém e periodicamente cada vez com mais frequência a máquina entra na lixeira uma vez para limpar e muitas vezes empurrando todo um conjunto de resíduos de tipologia variada, contaminando o solo e a água com efeitos ainda desconhecidos numa zona cada vez mais habitada.

Como resolver os problemas do lixo

Um caminho para a solução dos problemas relacionados com o lixo é apontado pelo Princípio dos
Três Erres (3R’s) – reduzir, reutilizar e reciclar. Os factores associados com estes princípios devem ser considerados como o ideal de prevenção e não geração de resíduos somados à adopção de padrões de consumo sustentável visando poupar os recursos naturais e conter o desperdício.

  1.  Reduzir significa consumir menos produtos e preferir aqueles que ofereçam menor potencial de geração de resíduos e tenham maior durabilidade;
  2. Reutilizar é, por exemplo, usar novamente as embalagens. Exemplo: os potes plásticos de sorvetes servem para guardar alimentos ou outros materiais;
  3.  Reciclar envolve a transformação dos materiais, por exemplo fabricar um produto a partir de um material usado. Podemos produzir papel reciclando papéis usados; papelão, latas, vidros e plásticos também podem ser reciclado.

 

Para facilitar o trabalho de encaminhar material pós-consumo para reciclagem, é importante fazer a separação no lugar de origem – nas casas, nos escritórios, nas fábricas, nos Hospital, e nas escolas. A separação também é necessária para o descarte adequado dos resíduos perigosos.